Quando estava procurando coisas sobre o Mateus no blog da Cla, deparei com a narrativa abaixo. Postada em 17/2/2005. Em homenagem ao Gamarra, ainda tão vivo em nossa memória - e pelo fato de ser bem divertida - resolvi copiá-la.
"Desde manhãzinha, o Gamarra estava atacando o piano. Desesperado, empurrava e arranhava, gania, fuçava, babava e bufava no pobre piano da sala. Conseguiu tirá-lo do lugar e fazer um furo no pano de trás. O Gamarra foi xingado, chutado, preso, amaldiçoado. Se deixasse, esse boxer filho de uma cadela ia destruir o piano!
No final do dia, lá estava ele de volta nervosão em volta do piano. Podiam ser várias coisas:
Uma barata.
Uma das bolinhas de borracha dele.
Outro brinquedinho estúpido.
Alguma comida que foi parar lá embaixo.
Um rato.
Eu e minha mãe resolvemos puxar o piano e dar uma olhada. Abrimos a parte superior e, com ajuda de uma lanterna, vasculhamos todos os detalhes. Nada. O gamarra estava preso para não atrapalhar. Segundo passo, olhar atrás, onde o imbecil rasgou o pano. Deve ser um ninho de baratas, sei lá. Colocamos a lanterna dentro e nada vimos. Eu desencanei e fuio fazer uns cookies de aveia.
Minha mãe me chama e mostra um pedacinho de pão mofado que ela encontro dentro do piano. Ó meu Deus. Será um rato? Mas um pão tão velhinho, mofado.. Devia ser de algum morador antigo. Voltei para os meus cookies. Nessa hora, a sala já estava deserta, minhas irmãs já estavam devidamente escondidas em seus respectivos quartos. Minha mãe continuou colocando em prática suas horas de televisão assistindo ao CSI e investigando o que poderia ser. Me chama de novo e mostra uns cocozinhos.
- Será que é cocô de rato, Clarice?
Olhei e vi.
- São sim, mãe. Deve ter sido o banheiro do ratinho que morava aí. Não respira muito perto.
Nesse momento o Gamarra escapa da cozinha e, com sua cabeçaa em formato de bigorna, abre um rombo em outra parte do pano do piano. Em baixo de socos, pontapés e ofensas à sua pessoa, o cão idiota se retira do recinto. E eu volto aos cookies. De novo minha mãe chama.
- Encontrei! Tem um ratinho aqui!
- E agora, como ele vai sair daí sem desmontar o piano?
- Vem dar uma olhada, Clarice.
- Eu, hein? credo.
- Ele é pequenininho, tá com medo, parece até amarelinho, coitadinho. não vai fugir. Pode olhar. Quando eu colocar a vassoura desse lado, ele vai aparecer ali, tá bom? Toma a lanterna.
Como planejado, ele apareceu, só com a cabecinha. Que gracinha! tão bonitinho e.... aaaaaaaargh! pulou pro meu lado e saiu correndo! O bicho era enorme! Cinza escuro! Gritos de desespero meu e da minha mãe. Agora a gente chamava o Gamarra e ele demorou um segundo a mais pra responder, meio desconfiado, mas chegou a ver o nojentinho entrar numa estante. Eu corri pra cozinha e subi numa cadeira, sem pressa de descer. Mas o Gamarra foi rápido e com uma mordida já matou o meliante, quebrando os seus ossinhos nojentos. Impressionante como o Gamarra mata e não deixa nenhum machucado, só esmaga com os dentes. O bichinho parecia dormir em paz.
Pensam que acabou? Não.
Depois a novela foi tirar o rato do Gamarra. Ele gosta de guardar as vítimas. Então a gente tem que atrair o cão com alguma guloseima e prendê-lo enquanto alguém tira o cadáver do lugar dele e joga fora."
Como a Maura andou elogiando os comentários filosóficos do Mateus, eu fucei no blog da Clarice, mãe do celeradinho, e achei duas historinhas interessantes de quando ele tinha um ano e nove meses.
"O Mateus já imita a mãe dirigindo:
Entra no carrinho, faz os tradicionais barulhos de Brum! Brum! e fala com voz alterada:
-Tipaliu!
Ainda do meu pequenininho falador:
Ele aprendeu com o irmão a subir no portão. Escalar seria a palavra exata. E agora achou uma ótima utilidade para esse exercício. O sem-vergonhinha escala o portão, abre o trinco e foge. Um ano e nove meses! Tô ferrada. Esse vai dar trabalho."
Tem outra história que ela publicou em outro blog. Essa envolveu o Mateus e o primo dele, filho da Lia, o Felipe. Foi na quaresma do ano passado, Mateus tinha três anos, portanto, e Felipe, seis. Clarice estava na cozinha, acho, quando Mateus apareceu correndo e falou bem sério: "Mamãe, Jesus morreu na cruz." Felipe vinha logo atrás e não deixou por menos: "Mentira! Ele ressuscitou!"
Pra quem não sabe, Tininha é, era, a mãe do Renato. Faleceu no último final de semana. E foi cerimoniosamente bebida ontem por todo o grupo. Mais a Luiza e a Celina. Aproveitamos para relembrar o terceiro aniversário de falecimento do Betão, irmão do Ricardo. Mas chega de compungimento e passemos às reclamações: Renato não avisou da morte da Tininha senão na segunda, tirando-nos o sacrossanto direito de irmos ao velório. Que foi em Catanduva. Mas o que são algumas centenas de quilômetros para um bom apreciador de velórios? Abaixo, transcrevo o texto que o Renato publicou em seu próprio blog (http://limamoraes.zip.net/).
Fiquei órfão
Pois é, fiquei órfão. Agora definitivamente órfão de pai e mãe, posto que minha progenitora faleceu no domingo, dia 09 de março de 2008. Por mais estranho que pareça, fui tomado desta sensação de estar sem ninguem mais a zelar por mim. Não que minha mãe estivesse em condições de zelar por mim nestes últimos anos, pois estava bem velhinha, com 94 anos e bastante dependente. Mas não importa o fato de ter a mãe viva é astronomicamente diferente de te-la morta. Enquanto está viva, temos a sensação de que a mãe está lá, que ela pode rezar por nós ou interceder de alguma maneira se estivermos com problemas.
Agora sinto-me estranhamente desamparado. Não estou só, tenho minha esposa, tenho irmã, cunhados, sobrinhos, amigos e inimigos ( eles também não deixam a gente se sentir só), mas não tenho mais genitores, que devem cuidar da prole, e isso me dá esta terrivel sensação.
Por outro lado tenho filhas e estou sempre pensando nelas. mesmo que já estejam ambas acima dos 20 anos, penso nelas como minhas pequenas filhinhas e me preocupo quando saem de casa, quando vão viajar, quando não estão debaixo do meu olho. Acho que a mãe delas também sente a mesma coisa e do jeito que são as mulheres deve sentir com maior intensidade. Acho que minhas filhas sabem que estão constantemente em nossos pensamentos e que gostaríamos de ve-las sempre felizes e poder interceder com quem quer que seja para que isso aconteça.´
Acho que este sentimento de perda, mesmo de uma velha senhora com suas dependências e carências é o de todo filho. Afinal, nestas horas somos todos lugar comum e no fundo pensamos - mãe é uma só, e agora não a tenho mais.
Tenho certeza que Renato muito menos. Ele fala bastante de Iugínn, onde foi fazer uma regata anos atrás. Em homenagem a ele, portanto, transcrevo a nota que saiu hoje no Blue Bus, um site de notícias sobre marketing.
Policia tentou prender ciclistas na rua, eram 100 e estavam todos nus 09:44 Cerca de 100 ciclistas nus ou seminus pedalaram no fim de semana pelas ruas de Eugene, no Estado americano do Oregon. Foram parados pela policia algumas vezes, sob alegaçao de nao estavam cumprindo as leis do trânsito. Segundo noticia da AP, quando os policiais tentaram prender alguns, o publico que assistia ao evento saiu em defesa dos ciclistas. A policia preferiu deixar como estava, para evitar um confronto. O passeio de bicicleta fazia parte do movimento World Naked Bike Ride (http://www.worldnakedbikeride.org/index.html) que promove eventos semelhantes ao redor do planeta com a intençao de celebrar o ciclismo, o corpo humano, alertar para a vulnerabilidade dos ciclistas em relaçao aos carros e, ao mesmo tempo, protestar contra a dependência em relaçao ao pretróleo.
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