Eu não esperava isso de você, Maura

(texto da lavra do Ricardo Jugdar)

 

Pois é....

Todas as terças-feiras são assim: Veio, a gente fala um pouco. Não veio, a gente frita!

Como não fritamos ninguém que faltou na última terça-feira lá no Constanz, vamos falar um pouco de quem veio.

A nossa amiga Maura, única representante do sexo feminino naquela noite, tentava inutilmente fazer uma “enquête” entre os outros presentes (Renato, Fernando e eu) para saber o que nós achávamos de a torcida “carioca” vaiar qualquer competidor que não fosse da nossa pátria amada nos jogos do Pan.

Durante aproximadamente 45 minutos ela perguntava para um, para outro, para todos, sempre em vão. Até o que o Fernando, finalmente atendendo ao pedido, inflou o peito e começou com toda a sua cátedra a responder para a Maura, mas aí olha para a Maura e percebe que a mesma está no mais profundo sono, sem prestar a menor atenção na resposta do Fernando.

Essa é a nossa amiga Maura.

Eu não esperava isso de você, avião

Pois é....

 

Quando a inundação é bem longe, a gente só vê pela TV, chateia, mas nem tanto.

Quando a inundação ta chegando perto da nossa casa, a história é outra.

Todo mundo tem medo de molhar a “bundinha”.

Talvez com o acidente do avião da TAM em congonhas, que daqui a pouco completará uma semana, seja diferente porque chegou pertinho da minha casa. Talvez porque quando eu passei por lá vi a fumaça e senti o cheiro de queimado.

Com certeza não era cheiro de cadáver queimado, mas vá explicar isso para o meu singelo nariz.

200 pessoas morrerem, pensando bem, não é muita coisa se compararmos aos conflitos no Oriente e a outros ocorridos provocados pelo homem e pela natureza que podemos acompanhar todos os dias pela TV, jornais etc..

Mas perto de casa?  Quase molhando a minha bunda?

Coincidência: O avião da TAM bateu justamente em um prédio da TAM. >

Azar: Morrer de desastre de avião após o mesmo já ter pousado.

Muito azar: Estar trabalhando em um prédio e morrer de acidente de avião.

Muito Muito azar: Estar passando na calçada (sem nunca ter entrado em um avião), e morrer atropelado por um avião.

Conclusão: Não foi falha só da pista, não foi falha só do piloto, não foi falha só do avião e não foi falha só da TAM.

Bom, eu não tive o trabalho de escrever tudo isso a toa (sim, tudo isso. Já que eu não estou acostumado a escrever muito) Escrevi por me sentir chateado com a dor de tantas famílias e amigos que perderam alguém querido (tão pertinho da minha casa).

E também fui afetado que por causa disso tudo: Meus amigos e eu não pudemos nos encontrar na última terça-feira.

Por via das dúvidas, vamos nos encontrar em algum boteco fora da rota de aviões.

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