E não é que é moidinho o nome do petisco que o Renato faz para as crianças no churrasco? Obrigado, Ricardo, pela correção. Eu sabia que era algo no diminutivo, um inho da vida, e fui na lógica, uma lógica toda minha, tirando o nome do fato de o Renato espremer a carne moída no espeto. Mas não, o nome vem mesmo do fato de ser feito com carne moída. Moidinho, portanto, e não espremidinho.
Feita a correção, vem a segunda história. Quando fomos pagar, a Maura só tinha cheque e aí dissemos para ela que o restaurante não aceitava cheques. Ela ficou toda nervosa, remexendo a bolsa para ver se tinha alguma outra opção. Claro que era brincadeira, claro que o restaurante aceitava cheques, mas fizemos a brincadeira lembrando de outra vez em que ela levou a sério uma história parecida com essa. Foi depois da primeira quermesse, e também a primeira vez que uma festa nossa, em princípio com o objetivo de arrecadar dinheiro para a gente produzir a peça, de fato cumpriu o seu objetivo. Até então, havíamos conseguido apenas nos divertir: no final, tínhamos que dividir um prejuízo razoável. A quermesse, não. Deu dinheiro. A ponto de não apenas conseguirmos produzir decentemente a peça daquele ano, mas foi também quando adquirimos uma mesa de luz, uma máquina de gelo seco e sei lá mais o que.
Voltando à história, naquela terça pós-quermesse, a Maura atrasou. Quando chegou já havíamos concluído as contas e estávamos exultantes, mas ela não percebeu que a excitação tinha a ver com o lucro da festa: alegres e exuberantes éramos sempre, mesmo quando o que havia a dividir era um prejuízo. Daí, ela perguntou como tinha sido, quanto tinha sobrado e, de prima, sem combinar nada, mudamos de expressão e contamos, todos contristados, que dera prejuízo e tínhamos que contribuir com um cheque de um valor relativamente grande, não lembro agora quanto, mas sei que era algo considerável. A Maura nem titubeou: abriu a bolsa, puxou a carteira, tirou o talão de cheques e começou a preencher um. O mais engraçado é que ela enquanto fazia tudo isso ia choramingando, se lamentando em uma voz bem fininha e bem baixinha, uma ladainha de protestos impotentes e promessas de abandonar o grupo, até que a interrompemos às gargalhadas. Até hoje ela não nos perdoa.
Ontem fomos ao Pasta Gialla, na Arapanés, em Moema. É uma espécie de franquia do Vecchia Cucina, pois tem supervisão direta do Sergio Arno. Já havíamos ido outras vezes (temos foto do Renato lá) e comprovamos a boa qualidade do fornecedor de repastos. E ainda houve a presença simpática, atenta e participativa do dono(?)/maitre, o Pietro, que jurávamos ser peruano ou qualquer coisa andina mas que se disse alpino.
E fomos todos, ao contrário das terças anteriores. Eu faltei no dia 26, tinha uma palestra para dar no dia seguinte, lá na Universidade Católica de Santos, e estava acabado: não quis arriscar esgotar o restinho da energia e, em vez de palestra, dar um vexame na simpática urbe praieira. Fiz bem, a palestra foi um sucesso. Tanto que até fui convidado para repeti-la. Mas não em Santos. Desta vez, será em Passo Fundo, tchê! O pessoal foi a um japonês que nunca tínhamos ido antes e não fizeram nenhum comentário. Mau sinal?
Na terça 18, quem faltou foi a Eunice. Fomos ao Constanz, um restaurante alemão que foi comprado por um grupo do qual faz parte alguns garçons do Miguel. O Miguel é um caso à parte em termos dos restaurantes que participamos. Faz parte da história e da pré-história do grupo. Mas o fato é que Eunice não gosta da comida deles e estendeu esse desgostar ao Constanz. Pena, pois continuaremos indo nos dois restaurantes, claro, e correremos sempre o risco de nos privar da presença dela.
Essa história de idiossincrasia a respeito de comidas e/ou restaurantes dá um post à parte. Vocês já sabem da alergia do Renato a crustáceos. Mas há outra história interessante envolvendo o cavalheiro e comida. Foi um churrasco. Na verdade, se não me engano, foi a primeira festa de final de ano que fizemos com o grupo na era Diogo de Faria. E fizemos o churrasco no sítio da sogra do Ricardo, dona Amélia, que fica em alguma cidadezinha à margem da Castelo, não lembro mais exatamente qual. Foi em 1987 e o grupo era bem grandinho na época. Faziam parte dele o Bruno e a Mônica que moravam em uma casa na Diogo, o castelinho, exatamente onde fica hoje o prédio onde mora o Renato. Mônica era vegetariana e obrigava os filhos a serem também. Mas foram todos ao churrasco e lá Renato havia feito seu famoso espremidinho (acho que é assim que ele chama o diacho), uma espécie de kafta, feito de carne moída e pão ou alguma outra massa para dar a liga. As crianças adoram o espremidinho. E no tal churrasco do final do ano lá está o Renato colocando espremidinhos na grelha e uma fila de crianças esperando avidamente o petisco. Os meninos da Mônica devoraram um monte antes que ela se desse conta do que estava acontecendo e fazer um escarcéu dos diabos. Renato explicou que não tinha culpa, não estava exatamente prestando atenção a quem estava dando o churrasco, se era vegetariano ou não, além disso, o que é que ela estava esperando, era um churrasco, ela não havia lido o convite. Sim, ela lera, mas pensara que era brincadeira. Oh.
Mas ainda tem mais sobre ontem. Aguardem.
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