Camarão é a mãe

Uma coisa é certa: damos muita importância aos nossos encontros semanais. A maior prova disso é o já comentado deslocamento de Rosa e Vitor, que vêm lá de Cotia só para jogarmos conversa fora nas noites de terça. Ontem, houve mais uma prova de o quanto consideramos estas reuniões essenciais para nossa saúde mental. Cheguei em casa da viagem que fiz a Recife, onde fui participar da comemoração dos 80 anos de minha mãe, às sete e meia da noite. Uma hora e meia depois, entrava no carro do Renato e fomos para o Konstanz, encontrar o resto do pessoal. Melhor relaxamento  depois de uma viagem cansativa impossível, pelo menos em minha opinião.

Mas pessoas à nossa volta também reconhecem a importância que damos aos nossos encontros. O que pôde ser comprovado mais uma vez exatamente pela ausência do Renato na terça anterior. A ausência dele, pode-se dizer com propriedade, preencheu uma lacuna. Explico. Renato faltou porque foi a um jantar, promovido por um casal de amigos dele, um bailarino cubano que mora na Itália e sua mulher, que cresceu junto com as meninas do Renato, os pais dela são amigos do Renato e da Sandra desde a pré-história.

Um parênteses importante: Renato é alérgico a crustáceos. Mas muito alérgico mesmo, de baixar hospital se o óleo em que for feito um prato de camarão for usado para fritar qualquer outra que servirem a ele. Coisa que quase aconteceu em um congresso na Bahia - ele, aliás, passa sempre apertos com eventos no Nordeste.

Voltando à história. A garota dona da casa, cujo nome esqueci, só lembro que não é um nome comum, o que só prova que nomes incomuns não ajudam esquecidos crônicos como eu, convidou Renato para o jantar e ele confirmou a presença. Inclusive porque gosta muito do cubano que já ficou hospedado na casa dele um tempão, e é realmente muito boa praça. Seu único defeito, na opinião da Rosa, é usar sapato branco. E foi. Aí, contava ele ontem, toca a campainha do apartamento, a menina abre a porta, dá com o Renato e exclama, levando as mãos à cabeça, "Tio, o senhor veio!" Ou seja, adivinha o que ela havia feito para jantar. Pois é, achando que Renato preferiria a nossa companhia, maldito complexo de inferioridade!, ela havia feito uma maravilhosa moqueca de camarão. É ou não é a mãe?

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