Vamos voltar a conversar? Temos motivo. Maura vai ser avó. Teremos grandes emoções pela frente, como dizia o Ricardo. Sem dúvida, eu acrescentaria. Quando ela me ligou para contar nem conseguia articular as palavras direito. É, minha senhora, o tempo passa, mas a gente resiste. Assim como o bom humor. Aguardemos os próximos passos.
Ontem, voltamos ao Lellis. Fazia tempo que não voltávamos lá. Está ligeiramente mudado, os banheiros com tudo automático - até o lixo! E a adega foi espalhada pelas paredes do restaurante, evidente sinal de que eles não têm lá aquela intimidade com a enologia. Um detalhe irrelevante, porém, considerando que a clientela, nós incluídos, não é exatamente composta de sommeliers. Apesar disso, tomamos vinho, um Dão português, chamado Duque de Cabriz, até aceitável, e que custou 38 paus a garrafa. No final do jantar, o maitre tentou nos empurrar mais garrafas, informando que era exclusividade deles. Dissemos não e desligamos. Mas hoje passei no Extra e com quem esbarro? O mesmíssimo vinho, custando 26 pilas. Sorte do restaurante: voltaríamos lá para devolver as garrafas - propaganda enganosa, para dizer o mínimo.
O que tem a ver o xuxu? Outra característica do Lellis é a presença de celebridades, principalmente ligadas ao futebol e à política. E ontem o restaurante não fez feio mais uma vez. As celebridades de plantão foram o Cafu, impressionantemente em forma, e o já citado candidato. Renato não resistiu dois meríssimos segundos: saltou da cadeira aos berros de "colega, colega". Alckmin veio de lá, estranhamente constrangido para um candidato em campanha -- sorrisinho amarelo, os braços colados ao corpo, os olhos teimando em mirar o chão -- enquanto o Renato continuou todo entusiasmado, contando quem era e confirmando seu voto no candidato. Tive uma vontade imensa de estragar aquele meigo momento e dizer que era mentira, que o Renato não resistiria a deixar de votar no Doutor Paulo. Mas resisti bravamente, anotem aí para o meu epitáfio.
O fato é que a interação pessoal com o cavalheiro reforçou a impressão de que, se ganhar a eleição, será pelo voto antipetista e antimarta, porque no quesito carisma a nota é , com muito boa vontadem, dois.
Não é que esqueci de dizer que o texto do post anterior não é meu? Pois não é não. O "um a mais" foi o Renato. Que, aparentemente, pegou o jeitão do blog: quem leu teve que confessar não ter percebido em uma primeira leitura que o texto não era meu. Ou seja, sai "pernambuco" e entra "catanduva falando para o muuuunnndO!"
Pois é gente, não se pode faltar. Faltei uma terça e pimba! na terça seguinte já levei no cocuruto.
Eu explico: Na terça feira atrasada não pude comparecer ao nosso jantar devido a um baixo astral familiar danado. Nesta passada, todo lampeiro, já com o assunto familiar digerido ( mas não resolvido), dirigi-me junto com meus inseparáveis R e F ( Ricardo e Fernando) para o restaurante combinado e escolhido como sempre pela Rosa. Lá chegando, os demais já lá estavam, menos a Eunice, a quem quero eximir de qualquer responsabilidade no ocorrido. Sentados estavam os tres ( Rosa, Maura e Vitor ) em uma mesa com 5 lugares. Olhamos surpresos e perguntamos diante de várias mesas vazias, por que escolheram aquela. A resposta, doída como uma chicotada foi dada rápidamente pela Maura - Hi! vamos ter que mudar de mesa, veio um a mais.
Naturalmente este "um a mais" era eu, visto que tanto Ricardo como Fernando já haviam conversado com eles e sabiam que iríamos comer no "Ratinho" O único que estava por fora era eu.
Voltando à frase lá de cima, o negócio é não faltar, senão vira "um a mais"
Prometo solenemente a fazer todos os esforços para não mais faltar em nossos rega-bofes.
Atrasado... Acontece que o Ricardo mandou o texto por email, querendo que eu publicasse aqui no blog no dia do amigo, 26 de julho. Só esqueceu de dizer isso. Me explicou na terça. Bom, segue o texto, que vale a pena ser lido.
Declaração para os meus amigos (de forma bem mineira... :)
Ces são o colírio do meu ôiu.
São o chiclete garrado na minha carça dins.
São a maionese do meu pão.
São o cisco no meu ôiu (o ôtro oiu - eu ten dois).
O limão da minha caipirinha.
O rechei do meu biscoito.
A masstumate do meu macarrão.
A pincumel do meu buteco.
Nossinhora!
Gosto dimais da conta docêis, uai.
Ces são tamém:
O videperfume da minha pintiadêra.
O dentifriço da minha iscovdidente.
Óiproceisvê,
Quem tem amigos assim, tem um tisôru!
Eu guárdêsse tisouro, com todo carin,
Do Lado Esquerdupeito !!!
Dentro do Meu Coração!!!
AMOOCÊIS PADANÁ!!!
(O texto abaixo foi enviado pelo Ricardo. Ele sugeriu que se leia ao som de "in the deep", de Bird York. A bem da verdade, mandou o arquivo, ou melhor, pensou que mandou, pois anexou no arquivo .doc e ficou só a imagem. Mas nem adiantaria mandar mesmo porque o brog da uóu não tem, ou pelo menos eu não achei, como publicar arquivos de som. Só se publicar como arquivo de vídeo no Uol Vídeos. Enfim...)
Pois é..... Tenho a impressão que as “meninas” do nosso grupo – as antigas e as novas – tem um gene em comum, alguma peculiaridade que faz delas pessoas especiais, diferentes. São histórias e mais histórias sobre o passado e o futuro de cada uma. Lembro-me quando a Laurinha, filha da Maura, nasceu e ela não nem pensou em “operar” para não emprenhar mais, pois vai que ela se separasse e um novo príncipe quisesse constituir família com ela?! Cachorro, plantas, pássaros ou marido? Tanto faz, o importante mesmo é pensar na profundeza da vida e no futuro.
Estou trabalhando na juscelino, quase santo amaro. O ônibus que costumo pegar é o Ana Rosa, o que sobe a brigadeiro, passa no parque e sobe a rodrigues alves. Às vezes, porém, o bicho é que pega. Aí me viro, pegando um qualquer que suba a brigadeiro mais pra cima da brasil e baldeando com o Savério, que passa na tangará, mais perto da minha casa. Mas não hoje. Hoje, eu tinha um cliente pra visitar na juscelino mesmo mas lá quase na marginal. aí, saindo de lá, quase 6 horas, fui até a funchal. Trabalhava lá até um mês atrás. e dei até um suspiro não de saudade, de alívio, pois continua um inferno tipo sétimo círculo. Dezenas de ônibus fretados atravancando desde a berrini. E os ônibus de linha passando cheios. Cheios? A aglomeração na porta do Ana Rosa quando deu o ar da graça dava pra encher outros dois ônibus. Fora quem já estava lá dentro. Desisti e fui andando pela cardoso de melo até o unibanco, fazer umas coisinhas que precisava. Tem um ponto quase na porta do banco e lá passa outro Ana Rosa, o que vai pela ibirapuera e depois pega a mesma rodrigues alves. Quando saí do banco, vinha um. Cheio, claro. Mas atrás vinha um Armênia. Vazio. Vai tu mesmo, pensei. Desço no começo da santo amaro (podia descer na fmu, mas na hora nem lembrei). Logo na entrada, o banco atrás do motorista vazio e iluminado. Maravilha. Sentei, peguei meu livro e comecei a ler. Dois pontos adiante, ouço um obrigado conhecido. Eponina. Agradecia a informação de alguém no ponto e passou por mim sem se dar conta. Pensei em chamá-la, mas pra que? O banco ao meu lado havia sido tomado, melhor voltar a ler. Mas não aguentei muito. A voz de Eponina ecoava no ônibus vazio, perguntando ao cobrador, detalhes do trajeto e explicando porque pegara aquele e não o Ana Rosa, e se algum outro passava na borges lagoa, e o que ela estava fazendo por lá, e porque precisava pegar algum que fosse naquela direção, a casa dela, e que. Ou seja, perdida. Como sempre. E enlouquecendo alguém. No caso, o cobrador. Também como sempre. Resolvi salvá-lo, o bom samaritano. Fez uma festa ao me ver. E viemos conversando. Ou melhor, eu vim concordando com a cabeça e vez em nunca arriscando algum palpite, algum comentário, ela falando de tudo. Por exemplo, como aquela linha era boa, o ônibus vazio o tempo todo, vazio na cardoso, vazio na santo amaro, vazio quando descemos, arriscou dizer que devia ser um lugar bom de morar, Armênia. Eu que não arrisquei a informá-la que é uma estação do metrô. Contou que estava em um congresso ou um seminário sobre esporte, trabalha na secretaria municipal de esportes. É aspone, disse-me. Ganha bem, mas não faz nada, veja onde foi acabar, duas faculdades, mas não faz política, não se mete em safadeza, não é infeliz, está mofando lá, o que a deixa doente, completou, indiferente à contradição. Agora, se envolve com obras sociais, é espírita. Na próxima encarnação, também serei espírita, comentei. Ela parou, olhou pra mim séria e perguntou: nesta encarnação, você é o que? Outro assunto que veio a baila foi segurança e a indiferença dos cidadãos, principalmentes aqueles como nós, que moramos na vila mariana. Teve dois carros roubados nos últimos anos, contou, e tem um dono da rua na napoleão com a loefgren, tem certeza que foi ele que fez roubar seus carros, uma vergonha, precisamos entrar na associação de moradores, cobrar o conselho de segurança do bairro, lembrou que, pais no viva, éramos mais atuantes, devíamos ter um representante no grupo na associação, no conselho. Sugeri Ricardo. Ela aceitou entusiasmada. Garantiu participar como ouvinte, para dar força. E teve o acácio. Uma hora lá, contava que tinha dificuldade para sair dos lugares onde ia (atenção, hem). Com os filhos já jovens, Lara e Breno, 21 e 18 anos, não havia a necessidade de voltar uma hora determinada pra casa, alguém tinha que lembrar isso pra ele. Na Kopenhagen, uma outra cliente sempre dizia, você ainda aqui. E aí, contou os planos de, chegando aos 60, sem companheiro, comprar um cachorro e dar-lhe o nome de acácio. Aí, diria, preciso voltar pra casa pra dar comida pro acácio, preciso cuidar do acácio. Nome sério, ninguém vai pensar que é um cachorro.
Está lá o corpo estendido no chão. Resistiu a um assalto. Coisa mais do que boba. Mas morrer é sempre meio bobo. No fundo, a gente se acha imortal. E faz o que não deve, sempre. Agudamente, como foi o Santos, resistir a desesperados, tentar proteger alguns trocados mas que eram suados, e certamente muito merecidos. Ou cronicamente, como o resto de nós, o tempo todo comendo, bebendo, respirando, pensando como não devíamos comer, beber, respirar, pensar.
Conhecíamos o Santos desde o velho Miguel, o Miguel Miguel, saudoso Miguel, com o próprio à frente, recebendo a gente na porta com a garrafa congelada de steinhager. Santos foi um dos que herdaram o restaurante. Um grupo dos garçons. Determinados, batalhadores, acolhedores. E aí Santos comprou o Konstanz e levou para lá o espírito amigo do Miguel. E agora morre bestamente.
A gente não esperava isso de você, amigo. Descanse em paz.
Está em festa. Até deve ser feriado. Só não sei se cobre toda a Grande Catanduva, chegando até o pequeno município onde está localizado o aeroporto da metrópole. É que o Dr. Renato Lima de Moraes completa hoje mais um aninho de vida. Nem deve ter parado direito pra comemorar. O homem virou um megaempresário da saúde, laboratórios pipocando por tudo que é hospital das cidades vizinhas a São Paulo, preparando o bote, decerto, conheço essa gente do interior, piscamos o olho e ele já terá encampado o das Clínicas, ou das crínica, como diria o Adoniram ao ver a situação ficar cínica. É, meu caro, mais um ano e é cada vez mais difícil disfarçar, como atestou o garçom do ponto chic. Sem atentar com a sorte que teve, conhecendo você. Sorte da qual somos fiéis depositários, a sorte que veio de Catanduva e que vai ficar c'a'gente anos a fio. Abração.
(A narrativa é do Ricardo Jugdar)
Pois é.....
Depois de degustar uma comida japonesa com um preço honesto, voltamos todos
“ lépidos e trépidos” para o aconchego dos nossos lares.
No meu veículo estavam: Eunice, Fernando, Henrique meu filho e eu.
Muito bem, e esta foi a ordem de deixar todos em suas casas.
Primeiro foi a Eunice.
Segundo foi o Fernando.
Quando o Fernandinho ficou em sua casa, restávamos somente no carro o Renato o Henrique e eu. Falávamos de qualquer assunto quando o Renato que estava no banco do carona, como que em um pedido de aprovação, estende a mão para traz e diz: Está vendo Eunice?????
SILENCIO NO RECINTO?!?!?!?
E ele repete: Está vendo Eunice?????
De novo SILENCIO NO RECINTO?!?!?!?
Então ele se vira para traz, espreme os olhos, olha bem faz uma cara de interrogação e fala: A Eunice não está mais no carro.
Henrique e eu nos olhamos e com certeza pensamos a mesma coisa: O que o consumo de álcool em excesso faz!!!!
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