Eu esperava isso de você, nonna

Vamos voltar a conversar? Temos motivo. Maura vai ser avó. Teremos grandes emoções pela frente, como dizia o Ricardo. Sem dúvida, eu acrescentaria. Quando ela me ligou para contar nem conseguia articular as palavras direito. É, minha senhora, o tempo passa, mas a gente resiste. Assim como o bom humor. Aguardemos os próximos passos.

Eu não esperava isso de você, gramática
Minha filha Clarice está fazendo um "cursinho" para um concurso da justiça do trabalho. O que segue é a narrativa de um determinado episódio. A questão que sobra para o grupo: a protagonista não lembra alguém?

'O professor de português do cursinho estava explicando sobre objeto direto, indireto, transitividade... Alguém lembra? E começou a falar do verbo “gostar”. Exemplos básicos, comuns para nós, pessoas normais. E aí entrou numa particularidade. Gostar no sentido de experimentar, degustar e também gozar, utilizar.
Abro parênteses para breve explicação, necessária ao andamento do “causo”. Gostar é comumente usado no sentido de apreço, verbo transitivo indireto (necessita de preposição) “Eu gosto de comer.”, “eu gostaria de dormir mais.”, etc”. Há uma forma bem esquisita de usar esse verbo, que é no transitivo direto (sem preposição) “ Nunca gostei mamona” (nunca experimentei), “ Não gosto os prazeres da vida” (não gozo).
Depois da explicação houve muitos porquês, algumas pessoas claramente revoltadas, e uma mulher em particular não aceitou, não conseguiu compreender e pedia exemplos e mais exemplos. E o professor, solícito, gesticulava e repetia, ajudava de todas as formas.
- Eu nunca gostei jaca. Gostei Jaca. Nunca coloquei jaca na boca.
E a dita com cara de paisagem.
- Diga-me alguma coisa que você já gostou.
- ...
- Algo que você tenha colocado na boca e engolido.
- Engolido?
- Ou não, mas que você tenha colocado na boca.
A mulher perguntou, com claro tom de insegurança:
- Tem que ser comida?
Por dez segundos, a classe ficou com cara de paisagem antes de explodir numa gargalhada. Daí que ela percebeu o que falou, ficou roxa e tentou consertar, mas não conseguiu voz no meio das risadas. O professor, tão rápido em respostas engraçadinhas, demorou antes de responder:
- Mas escova os dentes depois para falar comigo.'

Eu não esperava isso de você, Denis
Vamos tentar tirar o atraso. Começando por duas semanas atrás. Fomos no Lellis, da Campinas. Ricardo já tinha marcado para ir lá com o Tony, amigo dele e também nosso a essa altura, que mora em Los Angeles, e a prima do Tony, Vera. Do meu lado, o Géo estava aqui em São Paulo para participar de uma feira de produtos veterinários. Sugeri então que fossemos todos para o Lellis. Lembramos, claro, do episódio em que a minha história sobre o guaiamum do Buraco da Gia, restaurante em Goiana, cidade do interior de Pernambuco, a meio caminho entre Recife e João Pessoa. Já contei antes: os guaiamuns, caranguejos enormes, desse restaurante “servem” bebidas. Na verdade, o dono do restaurante pega o guaiamum pela mão e faz com que a garra do bicho pegue uma garrafa de cerveja. Aí, ele despeja a cerveja no copo do cliente, segurando o guaiamum. Aparentemente, eu contei mal a técnica e o Géo corrigiu, sendo condenado, segundo a versão apócrifa do pessoal, a dormir na casinha do Golias, que era o meu cachorro na época do acontecido. Lembramos também histórias do Tony e outros causos e acontecidos. Em resumo, uma noite muito agradável.

Na terça seguinte, fomos ao Halawi (é assim mesmo?), restaurante árabe que fica na Rafael de Barros, entre a praça Oswaldo Cruz e a Alameda Campinas. Um dos melhores árabes de São Paulo e por um preço muito acessível. O rodízio é 49 reais e é comida para um harém inteiro. Houve um probleminha com a chave da Lúcia, Rosa e Victor tiveram que voltar para Cotia e, portanto, faltou um pedaço fundamental do grupo.

Nesta última terça, recuperou-se o terreno perdido. Entre outras impagabilidades, discutiu-se a função e o status dos anestesistas. A história começou com o Dr. Renato, claro. Como bom patologista, ele tem lá suas diferenças com cirurgiões (qual a diferença entre a freira e a enfermeira de um centro cirúrgico? A freira serve a um só Deus). Não lembro exatamente como, a conversa terminou descambando para a opinião de que anestesistas não seriam médicos. Ele estava falando da opinião dos cirurgiões, claro, mas a Rosa interrompeu, indignada, exaltando a importância de tão menosprezados profissionais. E quando Renato tentou explicar que o motivo da opinião seria pelo fato da atividade ser exercida apenas na sala de cirurgia, de forma quase anônima, sem interação com o paciente, a Rosa indignou-se mais ainda. De forma alguma, bradou ela, meu anestesista participou de todo o meu pré-natal. Silêncio na mesa. Expressões de surpresa. Inclusive da parte do Victor. E a Rosa continou: porque o Denis... Aí, o Victor interrompeu: mas Rosa, o Denis não é anestesista. Não? Não, é obstetra. Ele era o assistente do fulano (não lembro o nome) que foi quem fez o parto. Ah, bom. E aí ela já passou para o lado oposto da discussão, considerando que talvez os cirurgiões tenham razão afinal, pois anestesista hoje em dia não faz nada. Como é que é? “É, a enfermeira diz que vai lhe dar um remedinho para relaxar e quando você vê já está de volta no quarto, o anestesista não fez nada.” Pois é.

Eu não esperava isso de você, Lourenço Diaféria
(Ricardo enviou a crônica abaixo, escrita pelo Diaféria. Não entendi bem a princípio, mas aí li no Uol a notícia da sua morte, da qual, infelizmente, não se pode dizer que tenha sido grandemente exagerada. Segundo a nota de falecimento, "O cronista e jornalista Lourenço Diaféria, 75, faleceu na noite de ontem em sua casa, em São Paulo, em decorrência de problemas cardíacos. Diaféria, pai de cinco filhos, apresentava problemas de saúde há cerca de um ano. O corpo está sendo velado no cemitério Getsêmani, no Morumbi, zona sul da cidade, e o sepultamento será à tarde." Segue, assim, nossa homenagem ao maravilhoso cronista paulistano. Sentiremos saudes.)

Nunca deixe seu filho mais confuso que você

De manhã, na copa. O pai mexe o café na xícara. O filho caçula vem da sala, dispara:

— Pai, o que é genitália? O homem volta-se:

— Ge... o quê?

— Genitália.

— Onde é que você tirou isso, da sua cabeça?

— Tá no jornal, pai.

— Genitália, no jornal? Bem, esse assunto não é comigo agora. Já estou atrasado pro trabalho. Cadê sua mãe? Rita! Ritinhaaaaa! Onde é que essa mulher se enfiou? Rita, venha ouvir aqui o que seu filho está aprontando.

Dona Rita desce esbaforida:

— Algum problema, Gervásio?

— Problema nenhum. O garoto está apenas querendo saber o que é genitália. Explique pra ele. Estou de saída.

— Genitália? Eu? Isso é conversa de homem pra homem. Vai dizer que você não sabe?

— Saber eu sei, lógico. Mas há coisas que a gente sabe o que é na teoria, mas fica difícil de explicar na prática.

— Deixa de bobagem.

— Tá bom. Depois, se eu pegar trânsito, quero só ver.

— Pode deixar, pai. Não precisa ficar discutindo você e a mamãe por causa de uma palavra. Eu pergunto pra tia da escola.

— Tá louco? A tia pode pensar mal da gente. Deixa comigo. Presta atenção: genitália é o mesmo que partes pudendas. Genitália é uma coisa muito antiga. Já existia no tempo do seu bisavô. No século passado, quando seu bisavô estava vivo, as pessoas tinham pudor. Elas ocultavam do público certas partes do corpo. Chegavam até ao exagero. As partes que ficavam mais resguardadas formavam, exatamente, a genitália. A genitália eram as partes pudendas.

— O umbigo era genitália, pai?

— Não. Na verdade, não era. Vou tentar explicar melhor. As pessoas tinham vergonha de mostrar o corpo. E uma certa parte do corpo era reservada ao extremo. Não aparecia nem em filme francês. As pessoas chamavam esse território misterioso de vergonhas. Isso é que é a genitália moderna.

— Bumbum é genitália, pai?

— Não. Acho que não estou sendo muito claro. Ritinha, você não quer dar uma mão?

— Não. Assuma.

— Bom, vou pras cabeças. Ahnnn. Hummmm. Abaixe as calças. Mais. Até os tornozelos. Isso. Pronto, tá aí a genitália.

— O umbigo?

— No térreo do umbigo. Que é que você vê embaixo do umbiguinho?

— Pô, pai. Vai dizer que o senhor não sabe o que é isso? É meu bingolim, pai.

— Ta aí. O bingolim é a genitália do homem.

— Puxa, o senhor podia ter falado antes.

— Na vida, às vezes é preciso usar eufemismos. Por exemplo, a genitália da mulher tem um nome delicado, leve, ágil. Sabe o que estou querendo dizer, não sabe? Começa com b.

— Barata da vizinha?

— Não, filho. Borboleta.

Eu não esperava isso de vocês, vísceras
Na terça passada, voltamos ao Konstanz. Fomos exorcizar os demônios, nos dissemos. Por causa do Santos, claro. Relembrando, Santos era um ex-garçom do Miguel, do Miguel Miguel, com o próprio ainda vivo, e ele um quase adolescente. Fez parte da turma de garçons que manteve o Miguel vivo após a morte do próprio e terminou comprando uma participação no Konstanz. A comida é boa, o ambiente é agradável, mas íamos lá principalmente pelo Santos, prestigiar o ex-garoto, trabalhador, boa gente e que afinal tinha se dado bem na vida. Aí, ele é assassinado. Bestamente, como todo assassinato é, no fundo, aliás. E não voltamos lá desde então. Até a terça passada. A comida continua boa, o ambiente continua agradável, mas falta o Santos. Faltará sempre, o que é pior. E falamos sobre tudo, como sempre, mas também sobre o Santos, o que foi inevitável. A Rosa, uma hora, confessou-se inconformada. Ela leu em algum canto que as vísceras reagem ao toque e entendeu, do alto de sua lógica irrefutável, que elas teriam a capacidade de desviar de coisinhas como facas, balas, etc. Como é que o Santos foi morrer, então, perguntava-se ela. Ou seja, já conhecíamos a vesícula preguiçosa, o intestino preguiçoso, e agora sabemos que o Santos morreu de vísceras preguiçosas.

A história ficou um pouquinho melhor ontem. Géo, meu irmão, está em São Paulo para uma feira de produtos veterinários e para um treinamento de novos produtos da empresa em que trabalha, a Mundo Animal. E eu contei essa história da Rosa. Aí, ele lembrou de outra, na mesma linha, que meu pai contava. Meu pai era uma figuraça, contador das histórias mais mirabolantes, com um detalhe: acreditava no que estava contando. Piamente. No caso, a história foi com o Apolônio, um negrão que morava no bairro e que era um terror -- alto, forte, vivia arrumando confusões. Em uma delas, levou uma facada. E aí, vem o tempero que meu pai acrescentava: quando o contendor deu o golpe, o Apolônio se assustou, o coração subiu e a faca passou por baixo. Juro.
Eu não esperava isso de você, eleição
(mensagem enviada pelo Rollo)

Para relaxar um pouco, abaixo os slogans políticos mais comentados na campanha municipal deste ano e que vêm sendo divulgados pela Internet:

* 9º lugar : Guilherme Bouças, com o slogan: 'Chega de malas, vote em Bouças.'
* 8º lugar : Grito de guerra do candidato Lingüiça, lá de Cotia (SP): 'Lingüiça Neles!'
* 7º lugar : Em Descalvado (AL), tem um candidata chamada Dinha cujo slogan é: 'Tudo Pela Dinha.'
* 6º lugar : Carmo do Rio Claro, tem um candidato chamado Gê: 'Não vote em A, nem em B, nem em C; na hora H, vote em Gê.'
* 5º lugar : Em Hidrolândia (GO), tem um candidato chamado Pé: 'Não vote sentado, vote em Pé.'
* 4º lugar : E em Piraí do Sul tem um gay chamado Lady Zu: 'Aquele que dá o que promete.'
* 3º lugar : A cearense chamada Debora Soft, stripper e estrela de show de sexo explícito. Slogan: 'Vote com prazer!'
* 2º lugar : Candidato a prefeito de Aracati (CE): 'Com a minha fé e as fezes de vocês, vou ganhar a eleição.'
* 1º lugar : Em Mogi das Cruzes (SP), tem um candidato chamado Defunto: 'Vote em Defunto, porque político bom é político morto!'

E mesmo assim é importante que levemos a Política à sério!!!
eu não esperava isso de você, Doutor Alckmin

Ontem, voltamos ao Lellis. Fazia tempo que não voltávamos lá. Está ligeiramente mudado, os banheiros com tudo automático - até o lixo! E a adega foi espalhada pelas paredes do restaurante, evidente sinal de que eles não têm lá aquela intimidade com a enologia. Um detalhe irrelevante, porém, considerando que a clientela, nós incluídos, não é exatamente composta de sommeliers. Apesar disso, tomamos vinho, um Dão português, chamado Duque de Cabriz, até aceitável, e que custou 38 paus a garrafa. No final do jantar, o maitre tentou nos empurrar mais garrafas, informando que era exclusividade deles. Dissemos não e desligamos. Mas hoje passei no Extra e com quem esbarro? O mesmíssimo vinho, custando 26 pilas. Sorte do restaurante: voltaríamos lá para devolver as garrafas - propaganda enganosa, para dizer o mínimo.

O que tem a ver o xuxu? Outra característica do Lellis é a presença de celebridades, principalmente ligadas ao futebol e à política. E ontem o restaurante não fez feio mais uma vez. As celebridades de plantão foram o Cafu, impressionantemente em forma, e o já citado candidato. Renato não resistiu dois meríssimos segundos: saltou da cadeira aos berros de "colega, colega". Alckmin veio de lá, estranhamente constrangido para um candidato em campanha --  sorrisinho amarelo, os braços colados ao corpo, os olhos teimando em mirar o chão -- enquanto o Renato continuou todo entusiasmado, contando quem era e confirmando seu voto no candidato. Tive uma vontade imensa de estragar aquele meigo momento e dizer que era mentira, que o Renato não resistiria a deixar de votar no Doutor Paulo. Mas resisti bravamente, anotem aí para o meu epitáfio.

O fato é que a interação pessoal com o cavalheiro reforçou a impressão de que, se ganhar a eleição, será pelo voto antipetista e antimarta, porque no quesito carisma a nota é , com muito boa vontadem, dois.

Eu não esperava isso de mim

Não é que esqueci de dizer que o texto do post anterior não é meu? Pois não é não. O "um a mais" foi o Renato. Que, aparentemente, pegou o jeitão do blog: quem leu teve que confessar não ter percebido em uma primeira leitura que o texto não era meu. Ou seja, sai "pernambuco" e entra "catanduva falando para o muuuunnndO!"

 

Um a mais, ou: eu não esperava isso de você, Maura

Pois é gente, não se pode faltar. Faltei uma terça e pimba! na terça seguinte já levei no cocuruto.

Eu explico: Na terça feira atrasada não pude comparecer ao nosso jantar devido a um baixo astral familiar danado. Nesta passada, todo lampeiro, já com o assunto familiar digerido ( mas não resolvido), dirigi-me junto com meus inseparáveis R e F ( Ricardo e Fernando) para o restaurante combinado e escolhido como sempre pela Rosa. Lá chegando, os demais já lá estavam, menos a Eunice, a quem quero eximir de qualquer responsabilidade no ocorrido. Sentados estavam os tres ( Rosa, Maura e Vitor ) em uma mesa com 5 lugares. Olhamos surpresos e perguntamos diante de várias mesas vazias, por que escolheram aquela. A resposta, doída como uma chicotada foi dada rápidamente pela Maura - Hi! vamos ter que mudar de mesa, veio um a mais.

Naturalmente este "um a mais" era eu, visto que tanto Ricardo como Fernando já haviam conversado com eles e sabiam que iríamos comer no "Ratinho" O único que estava por fora era eu.

Voltando à frase lá de cima, o negócio é não faltar, senão vira "um a mais"

Prometo solenemente a fazer todos os esforços para não mais faltar em nossos rega-bofes.

Eu não esperava isso de você, amigo

Atrasado... Acontece que o Ricardo mandou o texto por email, querendo que eu publicasse aqui no blog no dia do amigo, 26 de julho. Só esqueceu de dizer isso. Me explicou na terça. Bom, segue o texto, que vale a pena ser lido.

Declaração para os meus amigos (de forma bem mineira... :)

Ces são o colírio do meu ôiu.
São o chiclete garrado na minha carça dins.
São a maionese do meu pão.
São o cisco no meu ôiu (o ôtro oiu - eu ten dois).
O limão da minha caipirinha.
O rechei do meu biscoito.
A masstumate do meu macarrão.
A pincumel do meu buteco.

Nossinhora!
Gosto dimais da conta docêis, uai.

Ces são tamém:
O videperfume da minha pintiadêra.
O dentifriço da minha iscovdidente.

Óiproceisvê,
Quem tem amigos assim, tem um tisôru!

Eu guárdêsse tisouro, com todo carin,
Do Lado Esquerdupeito !!!
Dentro do Meu Coração!!!

AMOOCÊIS PADANÁ!!!

Eu não esperava isso de você Eponina (o retorno)

(O texto abaixo foi enviado pelo Ricardo. Ele sugeriu que se leia ao som de "in the deep", de Bird York. A bem da verdade, mandou o arquivo, ou melhor, pensou que mandou, pois anexou no arquivo .doc e ficou só a imagem. Mas nem adiantaria mandar mesmo porque o brog da uóu não tem, ou pelo menos eu não achei, como publicar arquivos de som. Só se publicar como arquivo de vídeo no Uol Vídeos. Enfim...)

Pois é..... Tenho a impressão que as “meninas” do nosso grupo – as antigas e as novas – tem um gene em comum, alguma peculiaridade que faz delas pessoas especiais, diferentes. São histórias e mais histórias sobre o passado e o futuro de cada uma. Lembro-me quando a Laurinha, filha da Maura, nasceu e ela não nem pensou em “operar” para não emprenhar mais, pois vai que ela se separasse e um novo príncipe quisesse constituir família com ela?!  Cachorro, plantas, pássaros ou marido? Tanto faz, o importante mesmo é pensar na profundeza da vida e  no futuro.

 

Eu não esperava isso de você, Acácio

Estou trabalhando na juscelino, quase santo amaro. O ônibus que costumo pegar é o Ana Rosa, o que sobe a brigadeiro, passa no parque e sobe a rodrigues alves. Às vezes, porém, o bicho é que pega. Aí me viro, pegando um qualquer que suba a brigadeiro mais pra cima da brasil e baldeando com o Savério, que passa na tangará, mais perto da minha casa. Mas não hoje. Hoje, eu tinha um cliente pra visitar na juscelino mesmo mas lá quase na marginal. aí, saindo de lá, quase 6 horas, fui até a funchal. Trabalhava lá até um mês atrás. e dei até um suspiro não de saudade, de alívio, pois continua um inferno tipo sétimo círculo. Dezenas de ônibus fretados atravancando desde a berrini. E os ônibus de linha passando cheios. Cheios? A aglomeração na porta do Ana Rosa quando deu o ar da graça dava pra encher outros dois ônibus. Fora quem já estava lá dentro. Desisti e fui andando pela cardoso de melo até o unibanco, fazer umas coisinhas que precisava. Tem um ponto quase na porta do banco e lá passa outro Ana Rosa, o que vai pela ibirapuera e depois pega a mesma rodrigues alves. Quando saí do banco, vinha um. Cheio, claro. Mas atrás vinha um Armênia. Vazio. Vai tu mesmo, pensei. Desço no começo da santo amaro (podia descer na fmu, mas na hora nem lembrei). Logo na entrada, o banco atrás do motorista vazio e iluminado. Maravilha. Sentei, peguei meu livro e comecei a ler. Dois pontos adiante, ouço um obrigado conhecido. Eponina. Agradecia a informação de alguém no ponto e passou por mim sem se dar conta. Pensei em chamá-la, mas pra que? O banco ao meu lado havia sido tomado, melhor voltar a ler. Mas não aguentei muito. A voz de Eponina ecoava no ônibus vazio, perguntando ao cobrador, detalhes do trajeto e explicando porque pegara aquele e não o Ana Rosa, e se algum outro passava na borges lagoa, e o que ela estava fazendo por lá, e porque precisava pegar algum que fosse naquela direção, a casa dela, e que. Ou seja, perdida. Como sempre. E enlouquecendo alguém. No caso, o cobrador. Também como sempre. Resolvi salvá-lo, o bom samaritano. Fez uma festa ao me ver. E viemos conversando. Ou melhor, eu vim concordando com a cabeça e vez em nunca arriscando algum palpite, algum comentário, ela falando de tudo. Por exemplo, como aquela linha era boa, o ônibus vazio o tempo todo, vazio na cardoso, vazio na santo amaro, vazio quando descemos, arriscou dizer que devia ser um lugar bom de morar, Armênia. Eu que não arrisquei a informá-la que é uma estação do metrô. Contou que estava em um congresso ou um seminário sobre esporte, trabalha na secretaria municipal de esportes. É aspone, disse-me. Ganha bem, mas não faz nada, veja onde foi acabar, duas faculdades, mas não faz política, não se mete em safadeza, não é infeliz, está mofando lá, o que a deixa doente, completou, indiferente à contradição. Agora, se envolve com obras sociais, é espírita. Na próxima encarnação, também serei espírita, comentei. Ela parou, olhou pra mim séria e perguntou: nesta encarnação, você é o que? Outro assunto que veio a baila foi segurança e a indiferença dos cidadãos, principalmentes aqueles como nós, que moramos na vila mariana. Teve dois carros roubados nos últimos anos, contou, e tem um dono da rua na napoleão com a loefgren, tem certeza que foi ele que fez roubar seus carros, uma vergonha, precisamos entrar na associação de moradores, cobrar o conselho de segurança do bairro, lembrou que, pais no viva, éramos mais atuantes, devíamos ter um representante no grupo na associação, no conselho. Sugeri Ricardo. Ela aceitou entusiasmada. Garantiu participar como ouvinte, para dar força. E teve o acácio. Uma hora lá, contava que tinha dificuldade para sair dos lugares onde ia (atenção, hem). Com os filhos já jovens, Lara e Breno, 21 e 18 anos, não havia a necessidade de voltar uma hora determinada pra casa, alguém tinha que lembrar isso pra ele. Na Kopenhagen, uma outra cliente sempre dizia, você ainda aqui. E aí, contou os planos de, chegando aos 60, sem companheiro, comprar um cachorro e dar-lhe o nome de acácio. Aí, diria, preciso voltar pra casa pra dar comida pro acácio, preciso cuidar do acácio. Nome sério, ninguém vai pensar que é um cachorro.

Eu não esperava isso de você, Santos

Está lá o corpo estendido no chão. Resistiu a um assalto. Coisa mais do que boba. Mas morrer é sempre meio bobo. No fundo, a gente se acha imortal. E faz o que não deve, sempre. Agudamente, como foi o Santos, resistir a desesperados, tentar proteger alguns trocados mas que eram suados, e certamente muito merecidos. Ou cronicamente, como o resto de nós, o tempo todo comendo, bebendo, respirando, pensando como não devíamos comer, beber, respirar, pensar.

Conhecíamos o Santos desde o velho Miguel, o Miguel Miguel, saudoso Miguel, com o próprio à frente, recebendo a gente na porta com a garrafa congelada de steinhager. Santos foi um dos que herdaram o restaurante. Um grupo dos garçons. Determinados, batalhadores, acolhedores. E aí Santos comprou o Konstanz e levou para lá o espírito amigo do Miguel. E agora morre bestamente.

A gente não esperava isso de você, amigo. Descanse em paz.

Eu não esperava isso de você, Catanduva

Está em festa. Até deve ser feriado. Só não sei se cobre toda a Grande Catanduva, chegando até o pequeno município onde está localizado o aeroporto da metrópole. É que o Dr. Renato Lima de Moraes completa hoje mais um aninho de vida. Nem deve ter parado direito pra comemorar. O homem virou um megaempresário da saúde, laboratórios pipocando por tudo que é hospital das cidades vizinhas a São Paulo, preparando o bote, decerto, conheço essa gente do interior, piscamos o olho e ele já terá encampado o das Clínicas, ou das crínica, como diria o Adoniram ao ver a situação ficar cínica. É, meu caro, mais um ano e é cada vez mais difícil disfarçar, como atestou o garçom do ponto chic. Sem atentar com a sorte que teve, conhecendo você. Sorte da qual somos fiéis depositários, a sorte que veio de Catanduva e que vai ficar c'a'gente anos a fio. Abração.

Eu num ixxperava isso de você, Renato

(A narrativa é do Ricardo Jugdar)

Pois é.....

 Depois de degustar uma comida japonesa com um preço honesto, voltamos todos

“ lépidos e trépidos”  para o aconchego dos nossos lares.

No meu veículo estavam: Eunice, Fernando, Henrique meu filho e eu.

Muito bem, e esta foi a ordem de deixar todos  em suas casas.

Primeiro foi a Eunice.

Segundo foi o Fernando.

Quando o Fernandinho ficou em sua casa, restávamos somente no carro o Renato o Henrique e eu. Falávamos de qualquer assunto quando o Renato que estava no banco do carona, como que em um pedido de aprovação, estende a mão para traz e diz: Está vendo Eunice?????

SILENCIO NO RECINTO?!?!?!?

E ele repete: Está vendo Eunice?????

De novo SILENCIO NO RECINTO?!?!?!?

Então ele se vira para traz, espreme os olhos, olha bem faz uma cara de interrogação e fala: A Eunice não está mais no carro.

Henrique e eu nos olhamos e com certeza pensamos a mesma coisa: O que o consumo de álcool em excesso faz!!!!

[ ver mensagens anteriores ]



Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, Homem